Quem sou eu

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Comediante. Sou comediante e vivo todos os dias essa comédia que é a vida. Se a tua não está engraçada é porque não estás olhando pelo prisma certo. No fim das contas, por mais que tenhas responsabilidade, honra e valores, tudo vai ser resumir numa única sentença: "Se phodeu. Virou banquete de vermes." Não gostou? Te phode! Não pedi para gostar! ;)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dunga?


Tem uma coisa que gostaria de saber. Por que o Carlos Caetano tem o apelido de Dunga? Até onde sei, “Dunga” é um dos sete anões da Branca de Neve, famoso clássico infantil dos irmãos Grim. Na fábula, os sete anões são: Soneca, Dengoso, Dunga (o único que não tinha barbas e não falava), Feliz, Atchim, Mestre e Zangado. Pelo visto, quem apelidou o “Dunga” de “Dunga” não leu o famoso conto. É evidente que pela lógica “Dunga” só poderia ter um apelido, mas caso alguém não tenha usado a lógica ainda vamos analisar cada um dos sete anões.

O treinador da seleção poderia ter o apelido de “Soneca”?

- Senhor Soneca, por que o senhor não convocou o Ronaldinho Gaúcho?

- Ah, eu estava com muito sono e “zzzzz”... ai pensei bem e “zzzzz”....

Não dá né! O Dunga não tem preguiça de trabalhar. Ou então:

- Dengoso, quem será o substituto do Kaká contra Portugal?

- Eu acho o Kaká tão fofo que nem consigo pensar em alguém para o lugar dele.

Puta que pariu! De jeito nenhum mesmo. Não combina com o cara.

- Feliz, o que o senhor acha da sua fama de retranqueiro?

- Eu fico todo orgulhoso e muito contente com todos me chamando de retranqueiro e me criticanto o tempo todo. O Brasil é um país tão bonito, com pessoas tão legais e eu amo de coração a imprensa e toda a equipe da Rede Globo!

Bah, aí é de foder! Quem sabe então o próximo da lista. Atchim:

- Não posso dar essa coletiva hoje, atchim... porque estou, atchim... com uma alergia, atchimmmmmm... a jornalistas, ATCHIMMMMMMMMM!!!

O Dunga também não faz bem o papel de doente.

Mestre, poderiamos chama-lo de Mestre? Porra, daí é forçar a barra também...

O “Dunga” só poderia ser o Zangado! Quem deu o apelido para o nosso comandante da seleção estava completamente equivocado. O último episódio com o repórter da Sportv Alexandre Escobar mais uma vez provou isso. Por mais que ache que o senhor “Zangado” tenha razão de mandar alguns jornalistas a merda, é claro que não é uma postura que combina com o cargo que ele ocupa. Mas vamos olhar pelo lado positivo: o “Zangado” (vou começar a chama-lo assim), fez o que todos nós gostariamos de fazer com esses comentaristas esportivos. Eu tenho uma vontade tão grande de chamar o Mauricio Saraiva da RBSTV e o Kenny Braga da Rádio Gaucha de “cagão”, “filho da puta”, “burro”, “chato”, tal qual o Zangado fez. Todos eles acham que são técnicos! Que sabem mais que todos (assim como nós). Só que com uma diferença: o veiculo e o alcance das suas declarações. Muitas vezes, assim como as do Zangado, tais declarações ou comentários não correspondem ao cargo que eles ocupam. Sendo assim, “Zangado”, tô contigo e não abro! Manda eles a merda! Mas eu queria dar um palpite na tua escalação, acho que se tu fizeres um esquema com o Robinho no meio, Nilmar na frente..
Brasileiro falando de futebol é foda!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

A Paixão do Tango


E o que dizer da Argentina até agora na copa? A Argentina canta, dança, beija e encanta. Até então, os hermanos estão com todas as características de uma equipe campeã. Tem um grande time, um grande craque (Messi), vontade de vencer e não tem um grande técnico, têm o Maradona. Maradona não é um técnico de futebol. Não é um comandante. Está bem longe de ser um exemplo para o esporte. Maradona é um rockstar sem uma guitarra. É a figura mais controvérsa da história do futebol.

O ano era 1986 e eu tinha poucos anos de vida, mas me lembro de uma frase dita pelo meu pai: “Foi com a mão!”. Ele se referia ao gol histórico do Maradona contra a Inglaterra. Lembro-me também que nos anos posteriores, todos na minha escola na hora da pelada do recreio narravam jogadas do Maradona com a bola nos pés. Algo tipo, “aí vai Maradona, passou por um, por dois, por três, gol!!!” Todos queriam jogar como ele. Todos acordavam cedo para ver os jogos do Napoli na Band. É difícil dizer qual foi o guri dos anos 80 que não quis ser o Maradona com a bola nos pés. Claro que na época, nós as crianças, não entendíamos os vícios do craque. Não sabíamos ainda o que era cocaína e também não tínhamos a menor idéia das confusões que os jogadores aprontavam. Nós, eu, só queríamos dançar com a bola nos pés e gritar “gol do Maradona!!!” Não vimos o Pelé jogar, somente em vídeos e na minha opinião o Maradona nem chega perto dele (o Pelé tem três copas do mundo, o Maradona só uma), mas mesmo assim, para nós ele era o maior do mundo.

Mas agora falando do Diego Armando técnico, acho que ele tem algumas coisas que o faz ser o personagem da copa. Primeira, ninguém explora o marketing como ele. É o rei absoluto dos jornais, com as declarações mais polemicas do mundial. Beija seus jogadores até na boca (“nosfffa, tô bege”) para os fotógrafos. Segundo, ele não é um técnico, não é um comandante, ele é um jogador a mais na Argentina. Ele não precisa teorizar para seus jogadores, ele mostra como se faz. “É assim que se lança”, e vai lá e faz um lançamento “foda” nos treinos. Sabe como a bola quer ser tratada. Sabe como pouquíssimos no mundo como se joga futebol. Terceiro, o tango. A Argentina joga com a pátria nos pés e com o coração embalado pela paixão de uma nação. A Argentina se doa e joga com respeito ao próprio povo. Não sei se a Argentina será campeã, espero que não. Torço pelo Dunga, apesar de não simpatizar com ele. Mas uma coisa é certa, o “Keith Richards” dos gramados vai incomodar muito nesse mundial.

terça-feira, 15 de junho de 2010

“Duas tequilas e uma ceva”

- Duas tequilas e uma ceva, por favor.

O garçom prontamente atende ao pedido do solitário cavalheiro sentado no balcão que prontamente devora as tequilas e vira a ceva.

- Mais duas tequilas e mais uma ceva, por favor, senhor.

O garçom mais uma vez atende ao pedido do cavalheiro que outra vez devora rapidamente as duas tequilas e vira a outra ceva.

- Senhor, por favor, me dê mais duas tequilas, uma ceva e uma água sem gás.

Claramente intrigado com o sujeito a essa altura, o garçom serve as duas tequilas, coloca a ceva no balcão ao lado da garrafa de água sem gás pedida. O sujeito, já cagado de bêbado, vira as duas tequilas, vira a ceva e vira também a água, essa última não pela garganta, mais sim sobre a cabeça. O garçom já meio chocado com a cena incomum pergunta ao sujeito:

- Meu caro amigo, por que a pressa de ficar tão bêbado em tão pouco tempo?
O sujeito responde:
- Economia de tempo. Agora me dá mais duas tequilas, uma ceva, um Martini, um sex on the beach, um campari, uma vodka em um copo de shot, uma amarula, uma água sem gás e um esparadrapo.

Nesse momento o garçom faz uma cara de apavorado e de extrema incompreensão com relação ao pedido do sujeito. O cavalheiro, bêbado, porém não burro, percebeu a cara do garçom e explicou:

- Uma tequila o senhor serve para mim. A outra para aquela bela morena de peitos grandes e tatuagens no fim do balcão. A ceva também é para mim. O Martini vai para aquela loira com carinha de adolescente que ta parada naquela mesa, por ser jovem ela deve gostar de bebidas doces e fracas. O drink, sex on the beach, tu levas para aquela tigresa preparada aqui do lado, porque já é sugestivo como o decote dela. O campari é um cumprimento ao vocalista da banda que está tocando que é amigo meu a longa data. A vodka é para o meu amigo que ta rasgando aquela mocreia na entrada do banheiro, estou tentando ajudar ele a deixar ela mais bonita, se é que o senhor me entende. A amarula é para mocreia, porque tem que ter algo doce naquela cara azeda, e a água sem gás vou virar na minha cabeça, de novo, para ver se consigo falar com alguma delas depois se um dos meus drinks oferecidos tiver efeito.

Por mais que o raciocínio do sujeito tivesse uma lógica, o garçom ainda estava intrigado com o último pedido, o esparadrapo. Então perguntou:

- Senhor, e o esparadrapo, faço o que com ele?

Prontamente o bêbado respondeu:

- Esse é para o senhor colocar na própria boca, porque explicação só se da para porteiro de zona.





Quanta “finéssi”...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Silvio Rodriguez - Ojala

Uma das belas canções do poeta cubano Silvio Rodriguez. Quem ainda não conhece confere lá no youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=u80ocuvZxmY



Ojalá
Ojalá que las hojas no te toquen el cuerpo cuando caigan
para que no las puedas convertir en cristal.
Ojalá que la lluvia deje de ser milagro que baja por tu cuerpo.
Ojalá que la luna pueda salir sin tí.
Ojalá que la tierra no te bese los pasos.


Ojalá se te acabé la mirada constante,
la palabra precisa, la sonrisa perfecta.
Ojalá pase algo que te borre de pronto:
una luz cegadora, un disparo de nieve.
Ojalá por lo menos que me lleve la muerte,
para no verte tanto, para no verte siempre
en todos los segundos, en todas las visiones:
ojalá que no pueda tocarte ni en canciones


Ojalá que la aurora no dé gritos que caigan en mi espalda.
Ojalá que tu nombre se le olvide a esa voz.
Ojalá las paredes no retengan tu ruido de camino cansado.
Ojalá que el deseo se vaya tras de tí,
a tu viejo gobierno de difuntos y flores.



Agora a tradução:

Tomara
Tomara que as folhas não toquem seu corpo quando caiam
Para que não as converta em cristal.
Tomara que a chuva deixe de ser um milagre que baixa pelo seu corpo
Tomara que a lua possa sair sem você.
Tomara que a terra não beije seus passos


Tomara que acabe o seu olhar constante
A palavra precisa, o sorriso perfeito.
Tomara que aconteça algo que te apague rapidamente
Uma luz que cega, um disparo de neve.
Tomara que pelo menos a morte me leve,
Para não te ver tanto, para não te ver sempre
Em todos os segundos, em todas as visões.
Tomara que eu não possa te tocar nem nas canções


Tomara que a aurora não dê gritos que caiam nas minhas costas.
Tomara que o seu nome não se esqueça dessa voz
Tomara que as paredes não retenham o ruído do caminho cansado
Tomara que o desejo se vá atrás de ti,
Para seu velho governo de defuntos e flores.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

"Bobo"

O estalar da brasa do cigarro espanta o silêncio da casa vazia
e o que ontem era apenas uma alma na madrugada fria,
hoje contenta-se com a própria insignificância.
Como é bom sentir-se bobo o suficiente para rir de si mesmo.

sábado, 15 de maio de 2010

Apenas citando II

Porque o Carlos é foda!


Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história

Apenas citando

Citando um das "cabeceiras".

Amar

Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Desculpa

Desculpa se te amo
Se te olho e em ti vejo o que não vês
Se não sinto arestas nos nossos velhos abraços
Se de ti conheço perfeitamente todos os traços

Desculpa se te amo a tal ponto
De me confundir entre ternura e ódio
De me perder nas estradas da tua solidão
E de sempre perdoar o que não tem perdão

Desculpa
Por não poder ser o que precisas
Por te deixar livre ainda que peças socorro
Tuas batalhas não podem ser guerras minhas
Mas tenhas a certeza que contigo sofro

Desculpa por minha fraqueza ser um coração aberto
E mesmo sabendo que a distancia entre nós é definitiva
Ainda te incluo comigo, sozinho, em todos os meus planos.

Desculpa, sei que me engano,
Mas te amo
E ainda que duvides nos teus solitários pensamentos
Meu amor deseja a tua liberdade
Ainda que isso custe a minha própria felicidade.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

“Todo tiene su final”

“Todo tiene su final,nada dura para siempre, tenemos que recordar que no existe eternidad”. Na voz de Hector Lavoe esse clássico me inspirou hoje. Nada dura para sempre, isso é fato. Na atual fase que estou vivendo chega o momento decisivo de acabar com um velho e cômodo ciclo. Minha vida na noite chegou ao fim. Começa agora, lentamente, todos os preparativos para uma sucessão. Vou deixar “meu filho” para meus irmãos, não de sangue, mas de alma, e seguir um novo caminho. Com todo o final acontece um novo começo. E essa é a exata hora de isso acontecer.

Fiquei anos na noite, aproveitei o “glamour”, toquei muito, conheci muita gente, me apaixonei, decepcionei, descobri a justiça do trabalho, enfim, aconteceu de tudo nesses anos de “rock n’ roll”. Sim, aposto que tive uma vida muito parecida com a de qualquer outro roqueiro. Acordava tarde, ia trabalhar quando queria, tive muitas relações, gastei muitos encordoamentos de guitarra e me diverti muito. Conheci pessoas falsas... Mas também conheci pessoas verdadeiras, e essas valem muito mais que as outras. Bebi. Bebi demais. Fumei, fiz papelão, fiquei doente, me curei. A noite foi uma escola livre com regras rígidas e preço alto. Mas sem qualquer arrependimento. Agora chegou a hora, sozinho, de encarar o dia. Tudo tem o seu fim. Sei que estou sendo repetitivo, mas é a mais pura verdade. Como um amigo meu certa vez me disse, “é como uma camiseta velha que você sempre gostou de usar e de uma hora para outra ela não te serve mais.” É chegada a hora de uma “dolorosa” mudança.

A incerteza de sair comodismo tem me mantido excitado. Como será a vida agora? Como será não ser mais um rosto da noite? Como será começar tudo do zero em outro lugar? Não sei. Não sei se vou me adaptar ao novo lugar que vou morar. Não sei como será a saudade do Brasil. Na verdade tenho alguns meses para por a casa em ordem e incorporar melhor a idéia. Mas a decisão está tomada. Os preparativos estão sendo feitos. Chegou a hora de crescer.

E bem da verdade, estou gostando desse papo de crescer. Quando partir, lá no segundo semestre, só vou deixar lembranças boas para trás. Lembranças de uma adolescência prolongada. Quando chegar a hora, conforme o plano, não vou deixar nenhuma pendência, nenhum coração partido na plataforma de embarque. Vou com tudo resolvido e muito bem vivido por aqui. Será mais uma etapa que no futuro vou olhar para trás com saudade, mas com um sentimento de tudo ter sido vivido ao extremo. Como estou sendo repetitivo, vou dizer de novo, é um ciclo encerrado. Não sei se vou me adaptar bem nos EUA, não sei se vou ficar por lá. As apostas da minha irmã (que mora lá há anos) e da minha família são positivas, mas não sei. Vou me entregar para o desconhecido e ver o que acontece. Talvez eu volte, talvez não.

É meus amigos, poucos amigos, está na hora de mostrar a cara sem mascara. Está na hora de correr atrás de alguns novos sonhos. E estou indo, sem saber aonde vai dar. Será uma boa experiência de autoconhecimento, que é uma coisa que tenho me focado muito ultimamente. Se eu não fizer isso agora não farei mais e, com toda a certeza, a vida é demais para passar em branco. Ah, estava quase esquecendo, antes de ir, como não poderia deixar de ser, vamos “tomar todas” no iL Brasco. Para variar um pouco. “Todo tiene su final”, salve Hector! Mas sempre há um recomeço.

domingo, 4 de abril de 2010

FIERCE

Só fazendo um pequeno comercial. Estou com uma nova banda (FIERCE), ao lado da minha grande amiga Debora Spengler, e aos poucos, com poucas pretenções, estamos lançando esse trabalho. O disco está sendo terminado, mas no nosso myspace ( www.myspace.com/fiercebrasil ) já têm algumas faixas que podem ser conferidas. Particularmente gosto da faixa EU VEJO SÓ VOCÊ, que representa uma nova fase que chegou na minha vida. Tá valendo todos os tipos de críticas, sugestões e por aí vai.
Valeu?!
Grande abraço e beijos a todos,
André

sexta-feira, 2 de abril de 2010

M.I.

Seguindo o rumo do meu passo
Segui teu passo
Se dessa vez por ti passo,
Dessa vez não te deixarei passar

Nunca esqueci o fogo dos teus cabelos...

domingo, 28 de março de 2010

Livro

Para quem acompanha esse blog, lá de vez em quando, vai um aviso. Vou começar a publicar aqui os capitulos de um livro que estou escrevendo. Trata-se dos seis anos que passei (passo) dentro da noite. São as melhores histórias do iL Brasco pub.
Bem, será divertido, doloroso e honesto.
Em breve!
Att,
André.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

“Em nome do Senhor”

Ontem o dia começou como a maioria dos dias de 2009 pra mim. Acordei cedo, fiz o café, tomei banho, saí de casa pra deixar a “patroa” no trabalho e como faço todos os dias, fui comprar os jornais no Junca. Como sempre o transito naquela parte da Joaquim Nabuco estava horrível, não tinha como estacionar, “bilhões” de carros, buzinas, aquela história de todos os dias desse 2009... Comprado os jornais, já dentro do carro e parado naquele sinal da Bento com a Joaquim, resolvi dar uma olhada na capa do nosso jornal local, já que nossas sinaleiras fazem a “onda demorada do vermelho”. Foi aí que o dia ficou fúnebre.

Entre todas as manchetes que sempre estampam os jornais, ( Gripe “Porcina”, corrupções do governo, etc), vi uma notícia que me deixou órfão. O Luna Bar, aquele bar romântico e simpático de 55 anos no calçadão Oswaldo Cruz, estava fechando as suas portas! Aquela quinta-feira, seis de agosto, era o último dia de atendimento do bar mais tradicional e antigo da cidade. Foi horrível ler aquela manchete. O sinal abriu e fiquei estático, sem reação, ouvindo as buzinas da turma apressada que estava atrás de mim. Fui tomado por um sentimento de perda, de vazio, pois parte do meu cotidiano, desde a minha infância, estava sendo tirada de mim. Confesso que nem pensei no Geraldo, no Israel ou na Isa, estava com um sentimento egoísta, com uma dor de passar pelo calçadão e não ver mais a única coisa que me fazia ainda passar por ali. Eu conhecia cada quadro daquelas paredes velhas. O café com o cigarro no Luna era a melhor terapia que eu tinha. O meu momento de reflexão. Não podia imaginar que aquilo estava acontecendo. Mas estava.

Bem, foi almoçar com meu pai e minha mãe. A comida da “velhinha” estava ótima, mas ainda assim não descia. Eu queria ir logo para o Luna pra aproveitar meu último cafezinho naquele lugar único. Então saí correndo, achei uma vaga num estacionamento e rapidamente cheguei ao bar. Aí aconteceu o mais chocante: O LUNA BAR JÁ ESTAVA SENDO DESMONTADO! Fui a lona! Não sabia se tinha raiva da notícia errada do jornal ou do próprio oficial de justiça que coordenava o desmanche. Estava irracional no momento, com ódio! Quem eram aqueles homens do governo, com aqueles “homens” de Deus pra desmanchar um lugar tão querido por todos em Novo Hamburgo? Fui saber os detalhes...

Fui informado pelo Israel, pois o Geraldo mal conseguia conter a própria emoção, que a Igreja Universal, dona de quase todo o calçadão e do prédio do Luna, cassou uma liminar que mantinha o bar aberto e retomou a sala. Sem prazos, sem nada. O Luna bar foi expulso do seu lar de 55 anos pelos “Homens da Fé”. Algo como aqueles rituais que costumam fazer, mais ou menos assim: “Em nome do Senhor eu exijo, eu ordeno que saia daqui!!! Saí demônio, saí desse corpo que não te pertence!!!” E claro que fizeram isso com todo o amparo legal e um oficial de justiça fiscalizando a expulsão de um lugar sério da nossa cidade...

Lugar sério? Sim! O Luna Bar tinha mais credibilidade que todos esses que o expulsaram. Nunca vimos escândalos envolvendo o Luna bar, nunca vimos desvios de dinheiro no Luna bar! Em 55 anos, nenhum escândalo! Só de curiosidade e atrevimento, mas em 55 anos em quantos escândalos a referida igreja e o “adorado” governo já se meteram??? Hehehe É, o Luna era mesmo um lugar sério...

Fica aqui registrada a minha tristeza e meu apoio, ainda que tardio, ao Geraldo, Israel e Isa. Muito obrigado a vocês e desculpem esse hamburguense, descendente de alemão como as origens da nossa cidade, que nada fez pra evitar que fossem corridos por “estranhos” da nossa própria Novo Hamburgo.

domingo, 3 de maio de 2009

O suicídio salvou minha vida

Na verdade o plano era bem direto. Na última semana tratei de organizar mal e porcamente algumas coisas que não poderiam ficar sem respostas, para hoje, dia três de maio, enfiar uma bala de 38 bem no meio da minha cabeça. Hoje era pra ser o último dia da minha vida.

Bem decidido, acordei hoje à tarde como de costume, comi um “sanduba”, fumei um marlboro, passei a mão na cabeça dos cachorros, (por um momento achei que eles estivessem entendendo a minha despedida), tomei um banho e saí rumo a minha empresa, local onde consumaria o ato. Chegando lá, fumei mais um marlboro e coloquei em cima do balcão a carta que justificava meu crime para após isso partir para o banheiro, local onde iria juntar os pés. Coloquei dentro do tambor uma bala de ponta oca, para fazer um estrago bem grande mesmo. Me sentei no chão. Acendi mais um cigarro, “finalmente vai ser o último” pensei. Fumei com uma melancolia gostosa, “é, deu o que tinha que dar”, era uma maneira de dizer fui até onde consegui, agüentei o máximo que pude. E mais, se a vida é minha, eu decido quando acaba, é uma decisão só minha. Terminado o cigarro, havia chegado a hora. Cruzei as pernas como índio, coloquei o cano em baixo do meu queixo, engatilhei, pensei “foda-se” e comecei a puxar o gatilho. E foi aí que tudo mudou pra mim. Nesse pequeno espaço de tempo que separa o meu dedo do mecanismo da maquina até a bala sair e espalhar meu cérebro por todo o chão, me ocorreu à idéia de fumar mais um cigarro. Por ironia, esse seria o salvador e por outro lado é uma grande merda, porque nem na hora da morte eu consigo dizer que foi meu ultimo crivo.

Enquanto fumava mais esse marlboro, pensei em todos os motivos pelos quais estava ali sentado no chão daquele banheiro. Resolvi mais uma vez analisar eles, pois foi ali, no chão mesmo, que vi como é frágil minha própria existência. Naquele momento, comecei a entender o exato tamanho dos meus ditos problemas, das coisas que me chateavam a muito e que de uma forma ou outra, só eu poderia resolver. Até porque, as pessoas as quais me referia na carta de despedida, no fim das contas, não estariam nem um pouco aí pra minha morte. Possivelmente seria somente mais uma porra de fofoca entre amigos. Mas para mim, essa “insignificante” vida é tudo o que eu tenho. E naquele momento, torno a dizer, sentando no chão daquele banheiro, imaginando as baratas comendo meus miolos, cheguei a conclusão que por essas, realmente não valeria a pena.

Referente aos traumas da minha infância, pensei: “porra, todo mundo tenta acertar, por que meu pais seriam diferentes?” Eles com certeza fizeram o melhor que conseguiram nos momentos que era de dúvidas para eles também. Então tudo certo, posso sobreviver com isso. Com relação a mulher que partia meu coração pensei também: “bem se ela pisou no melhor que posso sentir na minha vida, com certeza teria a mesma reação quando visse minha cara num anuncio fúnebre, seguida de um pequeno pesar interno para se sentir melhor frente a própria indiferença”. Com certeza não valeria a ponta oca na minha cachola... Outro motivo, a passada de perna que levei esse ano, mais uma na verdade. Quando refleti sobre essa pensei bem: “Vão tomar no cu”. E pra esses não pensei mais nada, a vida se encarrega... Ah, tinha as minhas dívidas também, quanto a essas pensei da maneira mais lógica: “morrendo eu não vou pagar, se eu não pagar sou um baita pau no cu. É... vou ter que viver pra pagar mesmo.” Sendo assim, naquele momento, com aquele bendito cigarrinho na mão, reverti minha decisão.

Se antes queria morrer por mim mesmo, pelo simples fato de não querer mais existir, não agüentar mais os sofrimentos provocados pelo egoísmo de gente que não ta nem aí pra mim, resolvi viver por mim mesmo também. Vi o que a muito não via, talvez alguns sete anos, que minha própria existência me basta. Com todos os erros, julgamentos, falatório, e tudo mais, a minha presença me é suficiente. E se isso incomodar alguém, que se foda. O mundo é gigante, não precisamos compartilhar qualquer palavra com quem nos coloca somente para baixo. Hoje é o dia que quero correr atrás de todo o tempo perdido, do meu trabalho que deixei de lado, da minha verdadeira música, das pessoas verdadeiras que troquei por falsas. Minha pulsão de morte virou o maior sopro de vida que já senti. Saí numa empolgação tão grande de recomeçar a viver que resolvi até jogar o cigarro no lixo e parar de fumar. E joguei! Bem, mas aí voltei atrás né, sabe-se lá quando vou precisar refletir mais um pouquinho sobre as merdas que estou quase por realizar... Por fim, nesse momento não estou morto, e sim mais vivo e sedento do que nunca. Como diria Vinicius de Moraes: “Sarava”.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Afinação

Quero deslizar pelo teu corpo como a água que te banha
Sentindo teu retorcer e todas as tuas manhas
Te fazer as minhas mais indecentes caricias
E assim sumir com toda a tua sanidade

Quero te aquecer como o sol que derrete a neve
Com um ritmo ao qual te entregues
Afinar a freqüência do teu suspiro com o meu quadril
E semear dentro de ti um pouco de felicidade

Quero tua voz eternizada nos meus ouvidos
Com palavras que não podem ser escritas,
Arrancadas na forma de um urrar do fundo da tua alma

Por fim, quero te devolver a calma,
Para que possas repousar no meu peito
Sonhando com a eternidade do momento.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O que ainda não entendo

Suprimindo minha razão com seus braços me envolveu
Tocou meu corpo, tirou meu fôlego,
Bebeu na minha boca...
E deu!
Fez passar à força...
Por que me abraçou assim tão forte no seu erro?
Quando errei não pude sequer tocar-te...
Ficou a dúvida ecoando no ar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Para quando faltar alguém

Esse poema é para quando faltar alguém
Alguém para receber uma boa notícia
Um ligeiro comentário cotidiano
Ou ainda o simples telefonema “pensei em você”

É o poema da ausência não dolorosa
Daquela cicatriz turra sobre a pele
Impercebível aos olhos cansados
Mas que está lá, branquinha, quase rala no peito.

É o poema do instante
Aquele que paralisa nosso olhar através da janela do ônibus
Que fita a vista da sacada da casa
E não encontra nada e nem ninguém
Somente uma generosa lembrança que condensa o ar

É o poema da risada
Da nostalgia de como tudo era divertido
Das manias irritantes e das toalhas molhadas sobre a cama

É também o poema da saudade
Mas não de reviver o já vivido
Mas sim da vontade de congelar aquele momento para que ele nunca terminasse

O simples calorzinho no coração,
Aliado ainda ao olhar perdido,
As lembranças das manias “insuportáveis”,
A vontade de viver perpetuamente naquele tempo,
São as razões desse poema...
Que não possui qualquer fragmento de razão.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Roda de Chimarrão

A única roda que gira sem sair do lugar é a roda de chimarrão
Já o mundo, que da uma volta por dia,
Leva tudo com ela.
Ontem o passado,
Distante é o futuro
Pouco importa...
O que me interessa é o exato momento.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Exorcismo

O ritual começa quando as luzes se apagam
Fazendo a escuridão dominar meus olhos
Um suor frio escorre pelo meu rosto
Exposto
Enquanto quadros de um filme se formam.

Rolo em círculos infinitos
Escuto vozes que me atormentam
Fantasmas assombram todo o quarto
Intacto
Como o demônio o deixou.

Uma hóstia percorre minha garganta
Breve calmaria me toma
Uma prece, uma voz, um consolo,
Enquanto novamente me tomo
Por uma dor, agora profunda.

Aqui estou,
E num grito coloco para fora toda a minha vontade
De expulsar o Diabo dessa minha alma tão impura,
Acumulada de pecados como a sua morada
(talvez o próprio Inferno)

O exorcismo o arranca da minha pele e o sinto,
Como a dor de cacos de vidros entrando por todo meu corpo
Grito, blasfemo, amaldiçôo minha família e até o próprio Deus!
Sem entender mais quem me governa,
Enquanto minha alma sangra através das chagas,
Essas eternas.

Por fim minha alma serena
Em algum lugar jaz em plenitude
A leveza entorna meu espírito mais uma vez
Essa noite, e não mais que essa noite,
Foi a última das que chorei por ti.

terça-feira, 17 de março de 2009

O "Ç"

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ççççççççççççççççççççççççççççççççççççççç...

Esse é o "ç".
Falta de criatividade é foda...

quinta-feira, 12 de março de 2009

“Era mentirinha...”

Se tem uma coisa que eu realmente gosto e me divirto muito é uma boa e velha lorota. De verdade mesmo. Acho extremamente divertido. Quando sou eu que conto então acho mais divertido e anestésico ainda. Ô coisa bem boa disfarçar a verdade, (aquela coisa deveras sem graça que dizem que existe). O fato é, como o Quintana já disse, “a mentira é uma verdade que esqueceu de acontecer”. Gente, sinceramente, “acontecer de verdade” é um mero detalhe...

Crianças mentem, adolescentes mentem, adultos mentem (mais que crianças), idosos mentem, até meu cachorro mente, ele faz uma puta manha quando chego perto, como se estivesse morrendo, pra eu ficar ao lado dele. Quando saio e o observo de longe ele não ta mais nem aí. Mas não é das mentiras dos cachorros que gosto. O que eu mais gosto mesmo, aí falando bem sério, é a tipicidade da mentira humana. Essa é fascinante.

Existem pessoas que mentem pra deixar uma situação mais engraçada, fantasiosa, divertida, essas geralmente são as crianças (mas acho que me encaixo nesse perfil também). É a boa e velha fábula, onde sempre existe um herói pra situação. São como alguns livros e filmes, a gente sabe que não é verdade mas é tão divertido no momento que até “acontece” mesmo. Na verdade é uma coisa bem inocente e burra, mas as pessoas sempre acreditam porque é uma “mentira que faz bem” e rende algumas horas numa mesa de bar. Ninguém iria conversar com alguém, ou ainda “trepar” com alguém que dissesse de cara “eu sou um nada, vivo endividado, fodido, e tenho vários problemas em casa. Não tenho auto – confiança nenhuma e me acho feio embora todos dizem ao contrário.” O sujeito já coloca o rótulo de mala na testa...

Bem, existe também a “mentira profissional”. Essa é a mais pura verdade! Ela nunca esquece de acontecer e geralmente está nas pessoas que mais tem “moral” em suas sociedades. Imagina só, você está doente e vai a um médico e ele diz: “Bah tchê, hoje ta foda de te atender. É que bebi demais ontem e usei muita cocaína. Além disso, peguei um travesti, esfolei meu pau batendo punheta enquanto ele comia meu cu e to com uma puta, mas uma puta dor de cabeça. Como se não bastasse, minha mulher, aquela feiosa que casei só porque era rica, ficou falando “horas” hoje de manhã que meu filho vai rodar na escola e que a culpa é minha porque ando muito ausente. Eu sei que ela ta falando ausente porque não compareço, se é que tu me entendes, e sei também que isso não tem nada a ver com meu filho... mas ainda que eu gostasse de mulher, comer aquela mocréia é foda né? Mas vamos lá, eu tenho que te operar né? Vira esse cuzao pra cima que eu realmente tenho tesão em operar hemorróidas!” Porra, não dá pra ouvir isso né?! Outra ainda, imaginem um advogado falando pra um cliente, “senhor, não posso aceitar esses honorários de um milhão de reais e nesse exato momento vou ligar pra procuradoria e entregar o senhor, pois o que me pedes não posso fazer porque sou muito ético e o senhor é realmente culpado por essas fraudes, roubos e assassinatos. Acho melhor o senhor admitir tudo isso e ir para a cadeia para todos nós dormirmos tranqüilos e assim construirmos um Brasil melhor”. Cheguei a rir escrevendo isso... Ou ainda, imaginem o Lula dizendo que realmente não sabe de nada do que acontece no Congresso, que não viu o mensalão, que o Brasil não está em crise e que se chegar alguma crise vai ser só uma “marolinha”... opa, essa não precisa imaginar, ele realmente conta.

Enfim, além da mentira profissional, existe a mentira conjugal e a lorota familiar. São as mentiras que acontecem dentro de uma casa. Vamos instaurar o caos, o filho chega da escola e diz, “mãe, matei aula e fui fumar maconha com meus amigos, tava bem divertido e acho que vou repetir o ano.” E mamãe responde “tudo bem seu merda, tu é resultado de uma porra de uma gravidez acidental e to mais preocupada com o teu pai que tem uma amante a uns dez anos e fica me deixando de lado, ando pensando em me matar porque já me sinto velha pra arranjar alguém pra dar.” Imagine as nossas mães falando em “dar” e que gostam de “foder” (desculpem o linguajar, mas é pra chocar mesmo). Chega a ser mais forte que ela falar que quer se matar. Mas continuando a cena “cotidiana”, aí chega o pai na sala e fala, “sua burra que não fode direito, vou te corrigir, eu tenho a mesma amante há 15 anos e temos até um filho, bem mais bonito e esperto que esse aí. Ah, e lembra aquele financiamento que fiz no teu nome dizendo que era pra reerguer a empresa? Fiz uma viagem com ela pra Punta e paguei de grandão numa mega suíte, tu deverias ter visto!” Pra fica mais real, chega o irmão mais velho e diz, “vou fazer uma viagem de estudos, onde não vou estudar nada e vou beber tudo o que conseguir fazendo turismo, já reservei tudo. Sei que estamos mal de grana, mas grande coisa, virem-se pra pagar, já ta tudo certo. Ah, e outra coisa, preciso trocar meu carro porque na faculdade to virando piada, e como não trabalho, pai, trata de não ser inútil e te mexer pra isso.” Se não houvesse a “mentirinha”, imaginem como seria o almoço de todas as famílias que ainda existem...

Concluindo “pepesoal”, a tipicidade da mentira é imensa. Namorados mentem que não olham e que não desejam mais ninguém, adultos mentem quando mais convêm, “crianças” contam histórias sem pé nem cabeça, funcionários se dizem amigos dos patrões, pessoas escondem paixões e recalques infinitos, é uma infinidade de situações onde sempre poderíamos dizer no final “era mentirinha”, porque de fato, sempre é. Felizes são as pessoas que podem olhar no rosto de quem gostam e dizer, “menti por causa disso, daquilo e daquele outro” e as conseqüências não serem tão catastróficas. A maior mentira é condenar a própria mentira, porque geralmente não temos condições de encarar a verdade nua e crua. Acho que a verdade, agora falando da verdade mesmo, aparece naturalmente quando não nos importamos com o que vão pensar de nós, conseqüências dos nossos atos, culpas, aprovação paterna e materna, dinheiro, política, dinheiro, fidelidade, dinheiro... hehehehe E por aí vai.
Talvez “ser verdadeiro” seja uma camiseta velha, uma calça suja e um violão barato. Um dia ainda chego lá! Até lá vou contando uma lorotinha aqui, outra ali, outra acolá...

quarta-feira, 11 de março de 2009

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é... ainda que eu escreva claramente não é possível entender mesmo...
definitivamente não faz diferença mesmo...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Roda da Fortuna

Contudo insiste aquele que sofre
Como se o ar não lhe pesasse tanto
Lava o rosto e esconde o pranto
E parte com um andar de morte

O rumo é a incerteza de quando
E “o quando” menos se espera nasce a flor
Que não escolhe jardim ou tampouco amor
Para alimentar o sonho de quem segue sonhando

É a doação a mulher que não existe mais
(E sabe-se lá se algum dia existiu)
Mas “aquele” segue procurando uma a uma

E assim vai o cotidiano de quem vira as ruas
A busca daquilo que nunca (sequer) viu
Girando assim perpetuamente a roda da fortuna

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

“Um pouco” de saudade

Quando falo de saudade
Falo de uma saudade devoradora
Que me toma a razão
Que devasta minha alma
E me torna puro desespero

Quando falo de saudade
Falo de uma saudade sangrada
Que jorra das minhas chagas
E assim queima meu espírito

Se falar mais uma vez da minha saudade
Falo de uma saudade maior que a que tenho da infância
Das tardes de domingo com cheiro de bolacha
Na casa da avó que não tenho mais

Minha saudade é maior que a saudade de uma pessoa só
É a saudade de muitos e todos
Que só cura com aquele que atravessa as nuvens
Quando com ele vem teu sorriso de casa cheia

Teus braços abertos receptivos
Tua inocência de criança
Teus anos de futuro
E teu olhar de esperança

Sou um simples trovador
E hoje falo de saudade
Da alegria de quem cria alegria
E semeia sobre um solo de tristeza

No teu sorriso só mora a beleza
De quem possui a fonte da inocência
E que se a Terra permitir assim vai se espalhar

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

Feliz Natal
Pronto!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Amanhecer

O barulho do trânsito chama o novo amanhecer
Abro a janela e com o caos me encontro
Respiro a brisa poluída a tal ponto
Que não é difícil me convencer

Fecho a janela
Mergulho na escuridão do quarto
Encaixo meu quadril com o teu
E no teu pescoço relaxo

Como é fácil esquecer do mundo no emaranhado dos teus cabelos...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mentira

Minto quando a verdade é chata demais.
Ou ainda quando se faz insustentável ao teu ouvido
Quando a realidade é intensa, eu minto!
E assim crio a minha própria arte.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sobre as nuvens...

Quando em um dia cinza qualquer
A felicidade chegar até ti na forma de uma gota de chuva
Não a deixe do lado de fora da janela
Tão pouco a espalhar-se pela grama e perder-se

Desconfies da sinceridade contida nos raios de sol
Esses só chegam quando convém a si próprios
Tenhas certeza que quando mais precisarás deles,
Estarão todos escondidos atrás das nuvens
E juntos então
Em uma hilariante cumplicidade com as mesmas
Debocharão de ti:
“Hei! Estamos aqui! Tu sabes, mas não pode ver-nos ou sentir-nos”.

Entendas as mulheres como entendes agora as nuvens
Elas sempre podem ter alguma coisa escondida atrás da própria ternura...

Saibas que todas são moldáveis a desenhos
Belas formas e maciez de um infindável prazer
Basta observa-las e imaginar tudo o que elas podem ser
Ou ainda como podem fazer-te sentires

E quando não souberes mais para onde ires
Perdido entre todos os seus encantos
Elas pesarão e sobre teus ombros cairão seus prantos
Nas formas de pequenas, frias e mortais navalhas.

Então, quando teu sangue confundir-se com a terra,
Verás que uma pequena gota de chuva tocará a tua janela
Implorando para entrar
E assim
O céu denso será mais radiante que o próprio sol
Como se o cinza fosse a mais bela das cores
Entenderás mais uma vez
Que por mais que sofras com os amores
São somente a eles que pertencem a tua própria alma.

sábado, 15 de novembro de 2008

Morrestes

Morrestes
Simples assim
Procurei-te pela casa
Pelas ruas, esquinas, calçadas.
Morrestes
Simples assim
Procurei-te entre as pessoas
Entre todos os rostos da noite
Entre todos os raios de sol da aurora
Mas morrestes
Não pertences mais a vida
(ou somente a minha)
Começo a acreditar que morrestes...
Pero sei morrestes só pra mim
E não há mais luto agora

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Solidão

Solidão é aquela que sempre boto pra correr com um cigarro, um violão ou um poema.

Escultura em Vidro

Se desprezas meu amor,
Não sabes o que faz
Meu amor é uma arte
Uma canção de paz

Se desprezas meu amor,
Ainda que não me sintas
Sentirás a falta dele
Pois ele preenche o imenso vazio teu

Meu amor,
Não é um amor tolo, que se perde no teu rosto,
E tão pouco derrapa em tuas curvas.
Meu amor,
Não é um amor provado, posto a ser testado,
Ou ainda a ser um entretenimento teu.

Meu amor,
É um amor sincero
Que sofre com teus desvios fugindo de ti mesma,
Que sabe que a bela que faz pilares na beleza
Teme não ter nada além do externo a ser exibido
E ainda é um amor profético:
Conhecedor do teu sofrimento quando os anos a levarem de ti
Juntamente com todos que hoje a ti desejam
Pois esses se voltarão para a mais nova “bela”.

Meu amor atravessa o tempo
Não liga para o passado ou teme o que está por vir
Meu amor não é um amor inventado
É semeado e eternizado no teu ser

É a culpa quando sou amante
Mentira que quero ser
É a busca perpétua de estar ao lado teu
Disposto a doar mais e mais do meu amor.

Mas se desprezas meu amor
Saibas que ele é uma escultura em vidro
Que se quebra simplesmente por medo de tocar
Pois somente assim ele pode ser:
Amor

domingo, 2 de novembro de 2008

Poema para a minha morte

Pura presunção
Mas se chegar a tanto
Prenda os olhos naquele senhor velho
Fumando sozinho ali no canto

As mãos já são tortas
Não encontra mais a própria música
Perdeu o ritmo da vida
Somente a solidão ele busca

Às vezes cantarola algumas canções velhas
Outras prefere contar algumas histórias
Que ninguém acredita
Mas ele as conta
Sempre repete as mesmas
Onde ele é o herói de si mesmo

O garçom pergunta:
“O de sempre Seu André?”
Ele responde que sim com a cabeça
Algumas vezes parece achar que ninguém merece uma palavra sua
Quanta arrogância daquele senhor velho!

Acho que não tem família
Nunca o vi com filhos
Parece não dar a mínima para o que construiu
E ainda, uma vez, o ouvir dizer:
“Se fosse tão importante não seria papel.”
Quanta arrogância daquele senhor velho...

Mas o que mais me intriga
Por que ele ainda escreve? E para quem?
Guarda tudo nos bolsos
Quanta ignorância daquele senhor velho!

Que a solidão tenha piedade dele e a morte se faça implacável
Para assim redimir aquele senhor velho
- Olha como ele caminha!
Parece carregar todos os pecados do mundo nas costas
Lá se vai o senhor velho
Mas para onde?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Para entender-me

Quando o ciúme tomar parte do teu corpo
Não sabendo explicar de onde vem a fúria
Saberás um pouco mais de mim

Quando a posse escurecer tua visão vendo-me sair
E sentires um vazio somado ao teu próprio “raivedo”
Entenderás-me mais um pouco

Quando a saudade for cruel parecendo não ter fim
E achares melhor ter-me perto a ver-me feliz
Entenderás o que já fiz por ti

Quando a angústia invadir teu peito
Dando nós na tua garganta com a minha falta
E assim me procurar na hora mais inoportuna
Cheia de ódio e uma infindável dor
Estarás entendendo o que sou capaz
Então,
Quando fizeres tudo isso e um pouco mais
Saberás o porquê não me encontras


Porque existem as diferenças do amor


Amo-te da forma exclusiva que sei amar
Com o amor que tolera a ausência pela felicidade tua
Que te deixa livre em um céu limpo e te protege das chuvas
Que confia na tua mão pelo caminho escuro

Amo-te inclusive com orgulho
Da minha própria capacidade de amar-te
Ainda que para ti sejas invisível
Por não me veres prender-te com grilhões de ternura

Não sei se minha forma é pura
Sei que não foi o bastante
Ainda sim, agora distante,
Amo-te cada dia singular da minha vida sentindo a falta tua

El paso

Paso por la puerta, a cada paso yo paso
A cada paso, te encaro y paso
Paso
Siempre paso
Dejo todo pasar
Dejo pasar todo
Así mismo
Finjo que no paso
Y que no dejo pasar

En la bebida casi me aflojo
Ignorancia plena y feliz
¿Lo que será que hice?
Para merecer el dolor que paso
Paso
Siempre paso


Paso por arriba de las personas
Paso por debajo de las leyes
Puedo por arriba del muro
¿ Verte otra vez?

Este es el perpetuo paso
Lento, pero es mi paso
De aquellos que vuelven insistentemente la cabeza para abajo
Dejando la vida pasar
En una levedad mentirosa y risueña
¿ Pero quién me critica también no deja pasar?

Yo paso
Mismo no sabiendo por donde
Siempre paso
Voy dejando todo pasar

sábado, 25 de outubro de 2008

Soneto para meu “pavão”

Réplica explosiva, desvairada e às vezes até sem razão
Independente do humor se faz tomada pela ternura
Sempre suave, como da tua desejável pele é a textura
O labirinto do teu olhar em constante doação ao perdão

Perco-me nos infindáveis caminhos da tua fala e mãos
Carregando-me aos consolos, ainda que tenhas dúvidas
Faz-se certeza a tua palavra de luz a minha escura
Para aliviar de mim qualquer tipo de desilusão

Zelas pelo sentimento mais valioso do universo
Ainda que os supérfluos tentem em vão embaçar
Deixa quem a rodeia em uma constante aquarela

Não se culpa uma estrela pelo seu próprio brilho
Nem a um pavão pelas cores das suas belas penas
Tão pouco a ela, pela própria beleza de ser bela


*Esse é um poema que fiz para um “pavão” amigo que sempre transforma as tempestades da minha vida em mares caribenhos. Nanda, obrigado por seres minha amiga e deixares o mundo bem menos chato. Como tu mesma dizes, “um beijo e um queijo” pra ti.


André

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Quando o espelho quebra

É difícil juntar os pedaços que sobram quando terminamos qualquer relação. Seja ela de trabalho, amizade, amorosa, tanto faz. No momento que passamos por uma situação dessas não sobram muitas perspectivas a nossa frente, uma vez que projetamos nosso futuro com “o” ou “os” envolvidos que estamos rompendo. Claro que existem os rompimentos de situações sufocantes, mas não são esses a que me refiro. Refiro-me àquelas que ainda esperamos que dê certo. Aquela relação que tínhamos tanta confiança (e por que não dizer esperança), que fosse duradoura. Aquele sentimento que sempre poderíamos contar com aquela pessoa.

Com todas as bobagens que já disse nesse um quarto de século, é lógico que já tive incontáveis separações e rompimentos desse tipo. Houve um tempo que minha língua era muito mais rápida que minha razão, (de certa forma ainda é, mas já me controlo um pouco mais), e por causa disso perdi algumas boas amizades. Certa vez até uma namorada muito legal, que deve ser chateada comigo até hoje... (Nesse momento confesso que até pensei em ligar pra ela e pedir desculpas). Bem, sempre nos sentimos mal (pelo menos deveríamos) quando fazemos, ainda que brevemente, aquele exame de consciência e chegamos à conclusão: “caguei”. Aí vem, às vezes, aqueles tardios pedidos de desculpas, fiascos, choros (particularidade, mas não exclusividade das “meninas”), flores, mensagens, incontáveis telefonemas, enfim, todo aquele “circo” que somos todos capazes de fazer. Nada mais natural. Nada mais humano que enfiar o pé na jaca estando com a cabeça quente e depois ver a grande besteira que fez.

Mas pra não fugir muito dos últimos textos aqui postados, vou falar um pouco de quando rompemos uma relação unilateral que criamos dentro de nós mesmos. Aquela que já falei, que “já fiz”, que “eu fiz você”. Sim, essa também é uma “separação” dolorosa. É a volta ao mundo real, as contas a pagar na segunda, as gravações que ainda preciso fazer, aos projetos de trabalho, as pessoas que ainda precisam um pouco da minha atenção e zelo. Agora enumero o que “ainda” tenho e vejo uma responsabilidade relativa quanto a isso. Não posso, infelizmente, viver um conto “shakesperiano” a sua espera, (sim, o texto tem destinatário). É uma pena não poder perder a razão em meus pensamentos pensando em ti, projetando e deixando-me projetar pela sua simples existência. Não que tenha perdido o metrônomo do seu caminhar, que ainda tem o mesmo “beat” do meu peito, ou que tenha sumido o encanto que apareceu no breve momento que seus olhos passaram pelos meus. Não é isso. É apenas a realidade, essa imposta a nossa (minha) situação.

É assim, com a realidade, que os cristais racham. Que os perfumes perdem o aroma, que a manhã de sol perde o calor dando lugar ao frio da própria existência. Foi assim que o espelho da minha alma quebrou. Quando fitei mais uma vez seus olhos e não me vi, ainda que embaçado, refletido neles.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ENOLA GAY


Caminhou até o carro como quem caminha pelo corredor da morte. Já tinha esquecido todo o discurso que havia preparado porque transpirava emoção e nervosismo no trajeto. Pensou a cada sinal que passava se o vermelho era algum sinal para não fazer o que estava disposto. Prosseguiu. Ao chegar a encruzilhada da rua pensou mais uma vez, hesitou, mas com o Diabo ao pé do ouvido entrou na rua e estacionou. Caminhou com um passo tímido até o portão da casa dela com algumas flores na mão. Tocou o interfone. Respirou fundo, perdeu o olhar no azul do céu até a hora em que ela apareceu à porta, maravilhosamente “trajada” com roupas de “ficar em casa”. Nesse momento as palavras faltaram em sua boca, as ações em seu corpo, o oxigênio em seu cérebro. Ao se deparar com o olhar dela docemente “inquisidor” estendeu o braço que carregava as flores e entregou-as em suas mãos. Após alguns momentos de silencio absoluto de ambas as partes a adrenalina tomou conta do seu sangue e disparou: “Sabe quem perderá de verdade nessa situação? Você! Conheço sua alma, os seus defeitos, seu passado, suas falhas de caráter, suas invejas, agouros, sorrisos forçados e seus medos. Sua beleza externa não ofusca a verdadeira visão que tenho de ti. Não perco o foco do seu interior nas curvas dos seus vestidos. Não te vejo como conquista, nem como prêmio. Te vejo como a única “coisa” que existe no universo capaz de preencher o imenso vazio que oxida minha alma. Como os “bom dias” da minha vida. Como o sol que invade o final do inverno. Como o orvalho nas plantas. Como um raio de luz invadindo a escuridão infinita... E sendo assim, te ofereço a única coisa que tenho, minha vida. Essa que por sua vez dedicaria todos os dias a sua, sem reservas ou mentiras, te trazendo dia pós dia os “mimos” e esperanças de um novo amanhecer. Eu sei que não é muito, mas é o melhor que posso oferecer, e essa sinceridade você não vai achar em nenhum outro lugar do mundo. Existe outra maneira de dizer eu te amo?” O silencio ficou palpável no ar. A tensão condensava os sentimentos. Quando o telefone dela tocou e ela o entendeu com uma lágrima caindo pelo canto do olho, ele sabia exatamente o que estava acontecendo. Com um sorriso natural ela virou as costas para falar com sua “nova vida”, enquanto ele se tornava tão devastado quanto as duas cidades japonesas que o Enola Gay destruiu.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A “Quântica do meu eu”

Comovido como o Diabo. É exatamente assim que tenho andado me sentindo. Completamente a flor da pele que, como já diria Zeca Baleiro “qualquer beijo de novela me faz chorar (...) que meu desejo se confunde com a vontade de não ser”. Não quero parecer um dramaturgo mexicano no momento (ou até talvez para toda a vida), mas essa “comoção” anda me deixando meio confuso da “cachola”.

Fico confuso com todas as máscaras que posso usar. Com todos os personagens impressos na minha alma que, muitas vezes, até eu estranho. A quântica do meu “eu” fica mais assustadora aos meus olhos a cada momento que descubro alguma “novidade” sobre mim. Um perfeito pesadelo sóbrio do “cara que vejo diante do espelho”. As cartomantes e afins que me desculpem, mas essas “vidências” originais das conversas de salões de beleza, aquelas do tipo “você encontrará alguém especial”, “seu namorado ou namorada pensa em outra pessoa às vezes” (nada mais lógico caros “jumentos” crentes em tais coisas) são puras besteiras. Carregamos conosco todas as possibilidades das faces humanas. Ora podemos ser ternos, meigos, queridos, gentis e amáveis. Como ora podemos ser maus, fofoqueiros, pregadores de discórdia, discípulos da dor, assassinos da beleza (porque não dizer da vida). Podemos ser tudo aquilo que vemos em outros da nossa espécie. Basta um “pequeno” fator desencadeador.

Eis que então ocorre um “fator desencadeador” com esse que aqui escreve. Será que depois de fazer “faculdade” em decepções afetivas posso ainda crer que exista vida após o amor para recomeçar? Começo a acreditar que sim... infelizmente (ou felizmente, porque o sentimento é meu e “que se foda o alvo”). Ah como era é bom me sentir neutro, sempre pronto para qualquer “aventura” que aparecesse. Segunda, terça. quarta, quinta, sexta, sábado e domingo (o dia preferido), qualquer dia era dia de “conhecer” uma mulher nova. Bem coisa de “jaguara”, mas é assim que sou, ou melhor, era até o momento. (momento de tensão)... Nada mais normal se eu dissesse agora “tô namorando e feliz”. “Encontrei uma pessoa especial e bla bla bla”. Mas não... Continuo “neutro”, entretanto, talvez apaixonado. Ainda não sei dizer ao certo porque já faz tanto tempo que esqueci como é estar (se sentir) assim. Mas o fato é que a possibilidade é grande.


Agora em vez de ser amável ao primeiro e geralmente único encontro e depois sumir, (que coisa mais cretina de se admitir), começo a ter a estranha vontade de criar o primeiro encontro e ali permanecer. Trocar as velhas desculpas “tenho que acordar cedo” (é possível?!), “amanhã tem show”, “preciso ir pro iL Brasco”, pela sinceridade da pergunta “posso dormir com você hoje?”. Tenho tentado fielmente ser o “bom e velho canalha” com minha “vítima” atual, essa mesma da “paixonite”, mas não estou tendo sucesso. Acabei sendo eu a vítima. E o pior, vítima voluntária, uma vez que, mesmo sendo uma situação unilateral, estou estranhamente feliz com o mais novo (velho) sentimento que reencontrei. Tudo bem, dessa vez não deu certo e vou ter que curar “a dor de corno” em “coxa de china”, mas é bom saber que ainda tenho essa capacidade. Quem sabe da próxima vez...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Eu fiz você

Tenho grandes dificuldades com desenhos, pinturas, esculturas. Quando “guri” na escola era péssimo com a tal da argila. Meus “coleguinhas” faziam coisas bonitas e identificáveis com o tal barro, enquanto eu fazia enormes cocozões e dizia “profe, isso é um pônei”. Era tamanha a dificuldade com o negócio que encorajar o moleque de seis anos, cabelo com corte de pinico e desbocado pra chuchu poderia até ser considerado um atentado contra a arte infantil. Eu era (sou) realmente péssimo com esculturas.
Compensando ou não, sempre tive uma imaginação muito boa. Na minha cabeça as esculturas ficavam lindas, cheias de vida e definições. Dentro da minha cuca Michelangelo passaria vergonha com as dele. Com essa habilidade então, a pouco tempo atrás “esculpi” uma moça. Bem, ela já tinha traços bonitos, lindos na verdade, era barbada fazer o resto. Bastava olhar nos seus olhos enquanto ela educadamente falava comigo com sua voz angelical e imaginar o resto. “Esculpi” a sua companhia, os abraços de carinho, os beijos, as palavras de consolo nos momentos oportunos, os “mimos” que daria a ela, os sorrisos, as noites, dias e manhãs de amor. Era tudo perfeito. Enquanto aspirava seu perfume imaginava a textura da pele, as massagens que faria nela após qualquer dia de estresse que eventualmente pudesse ter, os cafés na cama, as ligações “banais” somente para dizer “estava pensando em ti”. Enfim, esculpi toda uma situação na minha própria cachola sem ela tomar conhecimento. Imaginei todo aquele cenário meloso, (que todo mundo diz ter ódio e ser cafona mas quer ter), sem ela nem sonhar que pudesse estar fazendo isso. Sensacional! Aí, tal qual o escultor famoso que disse a sua obra “parla”, acreditei na minha própria criação. É um erro colocar a arte no mundo real. A arte não existe nesse lugar.Quando me dei conta que como antigamente acontecia com a argila não poderia exteriorizar minha “obra de arte”, meu pequeno mundo imaginário se perdeu nas aquarelas e descoloriu. Não perdendo seu encanto, mas sim a viabilidade da situação. Era presunção demais achar que a “Vênus de Milo” (a minha tem braços) que todos observavam “catatonicamente” maravilhados, prenderia ser olhar por mais de cinco minutos no “menino com cabelo de pinico”. Pensei pra mim mesmo, “eu fiz você”, “como te criei posso te destruir dentro de mim”, “quem ela acha que é pra ficar nos meus pensamentos?”. Pensei várias coisas, mas, além de não conseguir, achei que seria uma pena acabar com a “escultura” idealizada. “Te fiz pra mim”. E sendo assim, em mais um ato de puro egoísmo meu, mas sem ferir ninguém, “guardei ela” no “museu” dos móveis velhos dos meus pensamentos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Maravilhas do Zetron

Que tipo de pessoa é tão estúpida a ponto de ser premiada com o direito de viver saudavelmente e escolhe todos os dias ingerir arsênio em 25 “cápsulas” diárias? Eu, André Scheid, fumante.
Sou fumante a alguns anos dos clássicos Marlboros vermelhos. Deliciosos cigarrinhos que sempre que você termina um tem logo vontade de acender outro. É um hábito gostoso, que anestesia toda a solidão que eventualmente (?) sinto. Acompanhado de um café e um bom papo torna um simples momento único no seu dia. O problema é que mata. E geralmente de maneira dolorosa, de doenças que o “infeliz” demora e sofre pra morrer. Então, porque as pessoas fumam? Sei lá, mas eu fumo e estou preocupado com minha saúde.
Tentei várias vezes parar de fumar, todas não tiveram sucesso. A alteração de humor acabava “fodendo” a frustrada tentativa. Acabei relatando isso ao meu psiquiatra, um cara “velhinho”, muito “gente fina” e que sabe das coisas. Aí ele me veio com o milagre: ZETRON! Um remédio capaz de tirar a vontade de fumar, a ansiedade, o mau humor, a reclamação dos não fumantes e a alegria do cara do posto que compro cigarro. Ou seja, uma maravilha!!! Demorei para acreditar que era tão simples! Fiquei radiante, emocionado, feliz! Na mesma tarde voltei a correr, fiz planos para aumentar o número das minhas atividades físicas (sexo não conta nesse momento). Ou seja, minha vida mudou naquela tarde! Pra pior...Acontece que fiz parte da pequena estatística de pessoas que não param de fumar com o tal remédio... E de uma forma “inusitada”, como já diria meu amigo Xandy, acostumando com o gosto ruim do cigarro! Isso mesmo! Os maravilhosos “marlborinhos” passaram a ter um gosto horrível pra mim. Semelhante ao primeiro cigarro que coloquei na boca em minha vida, um Free! Aquele da propaganda de TV que dizia “questão de bom senso” ( enfia esse “bom senso” no c...) Agora fumar pra mim passou a ser algo que “sofro” com o gosto “podre” do cigarro. Mas não paro. Consegui diminuir o número de “cápsulas de arsênio” para “apenas” 15 diárias. Mas firme e “forte” me mantenho fumando. Acho que estou tentando um longo e doloroso suicídio que com certeza terá êxito.

Meio cansado das coisas...

Bem, meu primeiro texto do meu primeiro blog não poderia começar diferente: reclamando. Quem me conhece sabe, domingo (dia que estou escrevendo) é sempre o dia que escolho pra reclamar (mais) das coisas que me chateiam. Esse domingo (5/10) aconteceu uma mera coincidência, foi o dia das eleições para prefeito e vereador. E como detesto política não poderia deixar esse assunto passar em branco. Alias, “branco” deveria ter sido meu “infeliz” voto. Teria sido mais sincero comigo mesmo.
Nesse exato momento estou sentado aqui no iL Brasco, em frente ao computador, ouvindo milhões de buzinas e gritos de comemorações dos carros que passam na rótula da Marcílio Dias. Me atrevi a dar uma espiada para ver o que estava acontecendo. Carros com bandeiras, gente pendurada para fora dos carros também com bandeiras, motoristas gritando segurando cervejas, jingles dos candidatos no último volume nos rádios... Nem Dante conseguiria imaginar uma cena dessas na sua época... Deveria ter ficado feliz, afinal de contas, votar é um exercício de cidadania, uma legitimação da democracia do Estado Democrata de Direito do Brasil. Mas não fiquei. Não consegui ter nenhum ânimo com aquela cena. Na verdade não acredito mais nas pessoas envolvidas na política. Não estou querendo ofender ninguém, mas cá entre nós, saí governo entra governo e o que muda são só os penteados e a marca do gel dos candidatos. Ah, não esquecendo, mudam as cores das bandeiras também, mudam os carros dos “candidatos” ao final do mandato deles, mudam as frases ditas nas campanhas, mudam as atenções dadas aos eleitores quando já estão eleitos... Pensando bem, muda muita coisa em quatro anos de governo...
Só o que não muda é a situação do tão sofrido povo, que ainda tem “esperança” (ou fome, porque em época de eleição se come bem) de que alguma coisa mude. Eu não tenho mais essa esperança. Mas ainda quero ser contrariado em minhas atuais perspectivas.
Até lá, vou continuar achando que nesse domingo os “eleitos” estão apenas comemorando os futuros escândalos que vão se meter e as possíveis Mercedes com bancos de couro que poderão comprar ao final de seus mandatos...