Quem sou eu

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Comediante. Sou comediante e vivo todos os dias essa comédia que é a vida. Se a tua não está engraçada é porque não estás olhando pelo prisma certo. No fim das contas, por mais que tenhas responsabilidade, honra e valores, tudo vai ser resumir numa única sentença: "Se phodeu. Virou banquete de vermes." Não gostou? Te phode! Não pedi para gostar! ;)

sábado, 11 de agosto de 2012


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Comercial próprio. :)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Minha mensagem de final de ano

Sugiro frente ao tão festejado período do ano, que sigamos a idéia de todos os comerciais de televisão ou quaisquer outros que vinculem na mídia que tanto invade nossas casas. Sugiro que nos permitamos sonhar.
E nesse mundo de sonhos, de comerciais de finais de anos, as pessoas seriam consideradas belas cada qual com a sua particularidade. Não haveria mais padrões de beleza e o silicone não seria mais um assessório estético. Os anabolizantes não seriam mais vendidos no mercado negro, pois ninguém deixaria de ser aceito por ter um pneuzinho a mais. As mulheres voltariam a expor sua beleza através da fragilidade, e os homens enfim entenderiam que a TPM passa. A Ana Maria Braga deixaria de falar com um papagaio enquanto cozinha. Ela encheria sua cozinha de crianças órfãs e falaria com as mesmas enquanto no forno estivessem assando muitos biscoitos coloridos. Os jogadores de futebol brasileiros não iam mais se preocupar com penteados ou com grandes salários. Eles por fim entenderiam a responsabilidade de ser um exemplo para as crianças e assim seríamos, mais uma vez, o maior celeiro de craques do mundo. As fotos e vídeos que circulam na internet de animais mutilados desapareceriam, pois o RBS Notícias não iria mais noticiar tragédias. Na sua grade de programações, estariam somente relatos de pessoas que salvaram cães, gatos ou quaisquer outros animais da crueldade dos maus tratos. As pessoas não iriam mais gastar tempo tentando poupá-lo, pois não haveria mais “fast-foods” nas cidades. Todos iriam ter refeições longas e compartilhadas com amigos. O transito não seria mais motivo de estresse, pois não haveria mais tantos carros. O sedentarismo do mundo iria desaparecer, porque as pessoas iriam aprender a caminhar de novo. O computador não seria mais o melhor amigo das crianças. Todas voltariam a aprender a brincar por brincar, enquanto o sol bronzearia de novo suas peles pálidas. Os enamorados por fim entenderiam as imperfeições do amor. E dessa forma, seria reescrito o clássico da Cinderela e a mesma se casaria com o plebeu mais trabalhador e honesto. O cigarro, como as demais drogas, mal de todas as violências, seria abolido do mundo, pois ninguém mais precisaria fugir ou se anestesiar de um encontro consigo mesmo. Ninguém mais utilizaria passatempos, pois o tempo seria tão valorizado e aproveitado que todos os dias seriam vividos como se fosse o primeiro, e não como o último. Tal qual é pregado hoje em dia. Os idosos seriam respeitados e ouvidos. Os asilos deixariam de existir e todos que ainda tivessem avós teriam o privilégio de poder compartilhá-los com quem já os perdeu para sempre. As pessoas parariam de temer o arrependimento e aprenderiam com os erros. A música voltaria a sua essência que é ser bela, e não cúmplice dos entorpecentes. E a vida seria a celebração de todos, e não mais a agonia de muitos. Enfim, nesse sonho tão infantil que tenho, seríamos todos capazes de entender que nossa natureza é sermos imperfeitos. E assim, embora jamais alçássemos a perfeição, essa mesma que é a maldição destinada a Deus, estaríamos zelando diariamente o futuro de todos os filhos que estão por vir.
André Scheid. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

Últimas palavras

Poderia dizer que é fácil ou simples. Na verdade, um simples poder de síntese resolveria essas últimas linhas mal escritas. Mas não, não é. Não fácil falar com alguém, ou quem sabe mais de uma pessoa, sabendo que é a última vez. Sim, definitivamente, a última vez. Algumas vezes blefamos, queremos atenção, queremos que alguém realmente se importe com o vazio que o silencio da nossa própria voz pode deixar. Mas não. Hoje, e não mais que hoje, não é o caso.
Sem enrolar muito, venho a quem possa interessar deixar algumas poucas palavras que justifiquem minha ausência. Não tenho o hábito de deixar qualquer coisa mal resolvida, então, nada mais justo que a dura verdade. Cansei. Desculpa, mas cansei. Não por fraqueza ou falta de forças para seguir em frente. Não é isso. Cansei das pessoas. Cansei do mundo. Cansei da forma egoísta, estúpida e nada solidária que a humanidade caminha. Cansei de tentar viver e me encaixar em algo que não serve no meu interior mais profundo. Casei do desvio de caráter que tenho que ter para ser socializado. Sendo sincero, cansei da utopia que me leva a caminhar a lugar algum, de crer em conceitos de caráter, doação ou fraternidade. Cansei de caminhar. Cansei de correr. Cansei. Simplesmente, não achei mais propósito. Não achei mais nada que seja válido acreditar. Nem mesmo na minha própria integridade (tão corrompida por mim mesmo nos últimos tempos). Não acredito mais na minha própria capacidade, seja ela qual for. Eu quero sair!
Por fim, não pensem que estou triste, doente ou delirante. Encontrei-me comigo mesmo. Desculpa a franqueza, mas delirante são vocês que ainda acham que tudo isso tem algum sentido. Acho que até houve um dia, mas não há mais.
Então, deixo a quem possa interessar um único conselho pertinente: compartilhe o amor. E o motivo é simples. É o único sentimento, ou coisa dentre tantas, capaz de suprir o vazio da alma. O resto é “conversa fiada”.  
Esse em mim, o amor, não existe mais. Nem mesmo uma simples esperança.
Sem mais.
Desculpa pai. Desculpa mãe.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Equação do Amor

Caminhei pelas ruas das incertezas que mapeiam meus dias. Contei pedras nas calçadas e desviei das emendas (me surpreendo que existam pessoas que tenham esquecido essa brincadeira ou tantas outras ainda).  Reparei nos sorrisos plastificados das pessoas, nos seus passos apressados, na rigidez das mãos e no peso do cotidiano que todos que passavam por ali carregavam. Sonhei breves segundos. Sorri. Voltei pro mundo ao som de uma buzina e xingamentos. Entrei na movimentada avenida com andar largo, parei um pouco, voltei ao ritmo inicial e sonhei. Sonhei enquanto cantarolava uma canção que o Caetano Velloso regravara há pouco tempo. Paguei de ridículo para uma menininha com cabelos coloridos, que cobriam seu rosto, enquanto eu cantava. Em seguida, “caguei e andei”. No meu tempo, e não pensei que seria tão breve dizer isso, não era feio se distrair cantando qualquer bela canção. Enfim, voltei mais uma vez pro mundo. Acelerei, estava atrasado, e entrei no prédio que tinha compromisso. Anunciei-me e esperei. Enquanto esperava sentando a minha vez, mais uma vez mergulhei no sonho profundo. Como era bom relembrar aquela praia. Aquela caminhada de mãos dadas na beira do mar, fora da temporada de verão, no frio do Rio Grande do Sul. Éramos apenas nós dois. Nossas conversas sem sentido faziam todo o sentido de sermos. Naquele mínimo ponto do universo, desafiamos e zombamos de todos os deuses. Quanta heresia foram nossos abraços e quantas blasfêmias todos os nossos beijos. Batemos de ombros para a imperfeição, pois nos bastávamos ali, somente, completando um ao outro.  E eu, que tenho o hábito medonho de equacionar tudo, não encontrei fatores que pudessem compor qualquer fórmula. Naquela praia, na minha lembrança e nos meus “sonhos”, exteriorizei, silenciosamente, um amor que nunca sentira antes. Esse mesmo que segue a regra fundamental do amor, que é ser tolo. Que é trocar qualquer situação ou lugar para estar ao lado de quem se ama. Que é entender que cada etapa de um processo doloroso de conhecimento se confunde com a renovação diária de uma chama, que se acende quando os olhos encontram o sorriso (no caso o teu).  E a longa espera do amadurecimento é anulada ao compartilhar de ambos, por horas e horas e horas, todas as brincadeiras bobas de enamorados.

Desde aquele dia na praia, te levo comigo aonde quer que eu vá. Nossa equação não faz qualquer sentido nas regras da matemática. Somente faz sentido para nós dois e o nosso sonho delírio compartilhado. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Perdi o romantismo – cultivarei e esperarei o processo

Eu não quero crer no conto. Tanto que não o conto adiante. Eu não quero crer que hoje seja o último dia. Mesmo porque já passamos da meia noite. Não quero crer que seja para sempre, até porque o para sempre, sempre dura muito pouco. Também não quero acreditar e contentar com o pouco, mesmo que o pouco seja a dor mais forte que possa suportar. Não vou acreditar no ódio, esse mesmo que te faz pensar em mim todos os dias. Não vou acreditar na felicidade aos quatro cantos, pois tão sem rumo essa mesma se perde nos pontos cardeais. Não estou interessado mais em teorias, quero me contentar somente com as coisas reais (e salve Belchior). Não creio no absurdo, no extremo, no luxo, no lixo e nem no final. Não creio no Lula, no Obama, na Dilma ou em um país melhor. Não caio nas conversas de quem tanto fala e tanto mostra o contrário do que diz. Não acredito em milagres. Não acredito em santos. Não acredito no karma, cabala, tarô e ciganos. Não acredito na vida após a morte, na vida que se faz de morte e nem mesmo na própria inevitável morte. Não acredito em concordâncias verbais, regras de português e bons costumes. Esses mesmos muitas vezes são utilizados para disfarçar a própria falta de caráter. Não acredito em Budha, Zeus, Jupiter ou Maçã. Não acredito em palestras educativas, seminários, auto-ajuda e Paulo Coelho. Ah, também não acredito em “pequenas empresas, grandes negócios”, histórias do Matarazzo ou ainda na saga de Alencar. Não acredito no rock, nas guitarras Fender, nos barulhos eletrônicos e nas músicas de louvor a Jah. Não acredito nem mesmo no que mais precisaria, por urgência, acreditar. Mas acredito, muito, em uma única coisa: na eternidade da photografia do teu rosto sorrindo para mim. Somos a realidade. Tu, eu e a química. 

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Tu mudaste

Depois de tanto refletir. Depois de tanto poupar palavras duras. Depois de tanto tolerar. Depois de tanto escutar. Depois, e tão somente depois, de parar de ser um perfeito imbecil, tu mudaste. Descobri que a “nova” pessoa que sou ama demais e se deixa ser amado pela “velha” pessoa que és.   

Morrer de Tristeza

Tão trágico quanto o lado escuro da lua. Infértil tal qual terras do deserto. Quem sabe talvez diga ao certo... A tristeza não me embala, mas deixa o que foi alegria em qualquer canto da antiga sala.  

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Se

Termo condicional tardio enraizado em meus pensamentos, assim surge:

E se luz não se refletisse no teu sorriso?
E se a tua voz não fosse única aos meus ouvidos?
E se a lua, debochada conselheira dos amantes, não fosse tão tua ao ouvir meus lamentos?
E se meu envenenado coração ainda não estiver um deserto seco?

Talvez um sentenciado não?
Talvez um tímido e engasgado sim?
Talvez tuas roupas pelo chão?
Talvez fosse simples assim?

Quem sabe seja a situação?
Quem sabe seja o destino?
Quem sabe, às vezes, sabe não?
Quem sabe eu saiba ser sozinho?

Mas é o “se”: e se tu quiseres?
E se eu quiser?
E se não possamos?
Como vamos saber?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Sinal da Despedida

É com estrema crueldade, registro da minha personalidade, que deixo aqui essas palavras registradas. Estando ciente que lerás e o quanto assim isso te importunará pelas próximas trocas de noites que virão no teu tempo terreno. Contudo, antes de iniciar, devo salientar que tampouco sinto qualquer remorso por saber das tuas angústias que estão por vir.


Sinal da despedida


Faça um exercício. Na verdade, um exercício bem simples. Tente imaginar o quanto é possível doer perder um pedaço do próprio corpo. Ter amputada a perna, o braço, olhos ou orelhas. Consegues imaginar o quanto seria difícil a vida a partir de um fato como esse? Tente imaginar o restante dos dias em uma cadeira de rodas. Tente imaginar todos os dias ter que esperar alguém que te conduza ao atravessar a rua. Se possível, tente imaginar alguém tendo que te dar banho. Alguém tendo que te dar comida na boca. Alguém tendo que repetidamente zelar o teu estado vegetal até que a vida tenha piedade. Se for possível tal exercício, tente imaginar o teu sentimento. Tente imaginar a tua ânsia de vida preza a um corpo que hoje não corresponde mais as tuas expectativas. Aquela sede de levantar, de correr, de abraçar alguém, de enxergar um sorriso, de tocar um rosto e de sentir o amor passar por todos os teus vasos sanguíneos. Aquela vontade tão característica de falar, gritar, fazer piadas e sorrir. E agora? Caso o raciocínio esteja sendo seguido, tente mais uma vez imaginar toda essa energia vital preza, contida e sem fluxo para o mundo. O canal está interrompido. Não há mais como exteriorizar tudo isso que carregas dentro do peito. O corpo não suporta mais. Com todos os sentimentos que ainda existem no interior, não é possível uma única lágrima sequer. Nada. Incomunicável. Consegues imaginar isso? Talvez até consigas. Mas, certamente essa não é a condição que te encontras e após ler isso, alguns minutos depois, tal sensação ruim terá passado e a única preocupação será quando vai haver mais uma bebedeira entre amigos. Afinal de contas, não é a tua condição atual. Ficaste triste talvez, pensando em quantos casos como os citados acima existem no mundo. Mas passou. A “vida” seguiu.
O que nunca te deste conta, é o quanto anestésico é perder algo muito pior que isso tudo que falei.  O quão ruim é poder usufruir das maravilhas de um saudável corpo e o deixar se esgotar por ter tido um pequeno, quase invisível, pedaço amputado. Enquanto tudo se esgota, sendo repetitivo, perdestes a alma. Nada mais triste que ver alguém com a alma amputada pelas imposições cotidianas. Pelos equivocados convívios sociais. Perdestes. Ela se foi.
Finalizo colocando o melhor da minha personalidade. Tevês chance. Poderias ter preservado tua essência frente a uma vaidade tão fútil e tão sem valor com o passar dos anos. Tevês alguém que te esperou. Tevês alguém que deixou tudo por ti. Tevês alguém que queria “te matar” de amor. Que simplesmente teu sorriso se fazia o evento mais importante do universo. E com tudo isso, tenha a certeza que farias toda a diferença na Terra, ao menos para aquela única mísera pessoa que hoje não habitas mais esse planeta. Sinto em te dizer, mas tu terias feito toda a diferença e agora não farás mais. Todo esse vazio, toda essa culpa, vai te consumir. Eu sei. Tu sabes. Todos sabem. E não sinto remorso algum por isso.

sábado, 1 de outubro de 2011

Saudade – “Significado e definição.”

Como é possível colocar em uma única frase tal dimensão, que transborda fronteiras da razão contrariando espaços, e ao mesmo tempo em que se expande, aperta o peito cansado?

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Sobre a Saudade

Tocar com os pés a areia e ouvir o mar compor melodias tristes no espumar das ondas. Até a brisa da praia vem sussurrar ao meu ouvido repetitivamente teu nome. E a linha reta do horizonte se rendeu e desenhou tuas curvas. Onde quer que mire, teu sorriso debochado está sempre me aguardando.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sobre o Tempo

Curioso, a melhor maneira de usufruir e desfrutar do maior ativo, o tempo, é desperdiçá-lo e deixá-lo se esgotar, compartilhando da tua presença. Muito perde quem o preserva, ocupado das coisas importantes e tanto supérfluas, perdido nas águas solitárias das angústias e preocupações. Meu ativo, minha época, meu tempo, tem como água corrente o destino de ser eternizado ao lado teu.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sobre os intervalos.

Nos intervalos da vida permito-me fingir que te esqueço.

domingo, 25 de setembro de 2011

De coração

De coração aberto te desejo que não sejas mais tola. Que não penses que o universo esta contra ti. Que não penses que todas as pessoas têm inveja da tua singular beleza, essa mesma que te deixa tão frágil e insegura. Desejo-te, com todos os restos da minha alma que ainda me faz hora que outra, humano, que sintas um pouco, ao menos um pouco, a tua condição de ser somente mais um ser. Claro que de forma saudável, pois tenho certeza, e não dúvidas, do quanto te sentes deslocada, abandonada e porque não dizer assim diferente. Também te desejo que caia sobre a tua moleira a justiça. Para que assim entendas o valor da família, do amor, da compreensão e do perdão. Desejo-te, na minha condição duvidosa, que reconheças o amor quando o mesmo realmente aparecer. Que entendas que tal sentimento nada mais é que o reflexo perfeito da natureza humana, repleta de defeitos e odores intragáveis. Aproveite o amor. Ande de mãos dadas ao pôr – do - sol. Aceites o simples “eu te amo” e verás como naturalmente teus lábios desenharão a escrita de uma sincera resposta. Entendas. Entendas muito. Quem muito entende corre o sério risco de um dia ser entendido. Aquele que nada quer entender terá no seu futuro o desencontro da compreensão. Ame. Não interessa o quanto doer. Ame. Desejo que ames os teus, teus momentos, tuas glórias, tuas derrotas, tua euforia, tua dor. Ame. Nunca deixe de amar. Quando o amor em nós seca, nega a condição de seres amorosos que somos. Sem amor somos zumbis. E por fim te desejo que aceites minha oração. Não terei mais chances de te dizer o que aqui está escrito. Quando a vida se impõe a nós, com a implacável ação do tempo, não nos resta artifícios para salvar-se da batalha. Minha hora, meu tempo, minha vida, contigo acabou. Portanto, te desejo que aceites minha oração e minha condição hoje de árvore seca. Pois se te desejo tudo acima, é porque o mesmo em mim não transcorre e sei que estou tão somente à espera do quando.

domingo, 11 de setembro de 2011

Reencontro

A ansiedade me consumia por saber da tua chegada. Tinha a confirmação da tua presença, pronunciada aos quatro cantos nas bocas das pessoas. Aguardei pálido, cético e porque não dizer, de certa forma, aparentemente indiferente. Mas não estava. Qualquer um que fixasse o olhar na inquieta expressão dos meus traços sabia que um frio cortante e agudo se encontrava na boca do meu estomago. Disfarcei. Fumei. Bebi. Nada aliviou minha tensão. A cada minuto, a cada segundo, te procurava para saber se já estávamos dividindo o mesmo ar. Nada. Nenhum único sinal. De repente, e já plagiando, “não mais que de repente”, refletiu-se a luz na maciez deslumbrante da tua pele. Congelei. Escondi-me. A freqüência da tua voz tornou-se única aos meus ouvidos naquele ambiente tão barulhento. Eis que no exato momento em que uma breve paz desafiava a gravidade, fazendo-me levitar ao te acompanhar com os olhos, me vistes. De pronto, vesti meu corpo tímido, inseguro e nu com toda a prepotência e arrogância que havia nas velhas gavetas do meu peito tão machucado. Com essa atitude tão conhecida de ambos, descruzei o olhar. Cego com a máscara petulante, não vi avançares o terreno e ocupares meu espaço. Com a umidade dos teus lábios trêmulos e a malicia da tua língua acariciando o cintilante dos teus dentes, desferistes a minha pessoa, com as toneladas da mais dura ferroada, o tiro misericordioso em forma de um receptivo e discreto “olá”. Como a característica principal da insegurança é a falsa indiferença, acenei com um simples gesto de “Gulliver” e me retirei do espaço. Tantas negações e aproximações desencontradas fazem da nossa história a comédia mais sem graça já vista.

Pela capacidade de compartilhar

Já tive mais energia para te amar. Já tive mais vontade de te amar. Mais dedicação, mais disposição. Eu já quis mais. Bem mais. Assim, para te dizer a verdade, eu já fui desesperado. Eu já ansiei, já esperei, já torci e “mandiguei”. Mas chorei, sabes. Chorei demais. Sofri demais. Entretanto, agora não sofro. Não me dói saber o que fazes. Não me dói saber com quem estás. Também não me dói saber que prometes o que nem mesmo é mais teu. (me refiro ao teu próprio corpo e coração, que não governas ou preserva) Na verdade, não sinto nenhum pesar ao pensar ou saber de ti. Mas tem uma coisa que me incomoda sempre: saber que somos dois completos imbecis que carregam o mesmo sentimento e que não têm a menor capacidade de compartilhá-lo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cicatriz

Aos ruídos maliciosos passaram-se os anos
Deixando assim somente ruínas e flores mortas
No compasso das minhas direções tortas,
Esculpi os traços finos dos meus critérios.
Fiz de mim a figura de um anjo torto
O senhor do vazio, a ser mais um sorriso sem razão
Único, disfarçado na penumbra,
Longe da clara e falsa ilusão.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Débora e Kelin

O pouco que pude tocar com as duas juntas, deu para salvar uma composição delas na minha memória e em uma gravação pra lá de muquirana. Fica a letra abaixo registrada.
PS: Vcs são demais!

“Eu não sei dizer.
Não sei se é eu ou se é você.
Não sei se é sol ou chuva,
Se é de maçã, pitanga ou uva.
Não sei se sim, se não,
Se é amor,
Se é paixão.
Não sei se é morte ou vida
Só sei de nós: ferida.
E se eu quis,
Queria.
Não, não quero saber
Desse jeitinho de deixar acontecer
Você ficou e ficou aqui,
Agora não quero e não vou dividir.”

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sofisma

Vou blasfemar teu nome,
Envolver-te em escrachos e difamações,
Repudiar teu rosto, gosto, pele,
Toda essa epiderme que tanto desejei.

Vou te envolver nos meus escândalos,
Para seres a última página de um livro não lido.
E ainda que não saibas, meu sincero ódio há de ir contigo,
A cada rua nova que adentrares.

Dentre todos os caminhos que ainda possas
Envolver rasteiramente meu nome,
Saibas que a praga a tua memória me concederá justiça
(Ainda que essa seja equilibrada somente para mim.)

Que tal sofisma assim sentencie,
Aquilo que foi amor extremo,
Que de pureza, onde jaz meu peito,
Não existe mais
há somente a desilusão sobre esse mesmo leito.